sexta-feira, 10 de maio de 2013

1º Seminário Unificado de Imprensa Sindical acontece em julho em Florianópolis

Com o tema “Por que a luta dos trabalhadores não é notícia?” O 1º Seminário Unificado de Imprensa Sindical será realizado nos dias 4 e 5 de julho/2013 no Hotel Oceania (rua do Marisco, 550, Ingleses) em Florianópolis/SC. Um dos objetivos do evento é debater a imprensa sindical e apontar perspectivas para fortalecer este importante instrumento de disputa de hegemonia. O evento é pioneiro em Santa Catarina na unidade de sindicatos para debater o tema. Realizam o Seminário Sindprevs/SC, Sinasefe, Sintrajusc, SEEB Florianópolis e Sindaspi. Entre os temas que serão abordados estão: Lei dos meios: o desafio de quebrar o poder dos grandes grupos de comunicação; os desafios do Sindicalismo e seus reflexos na comunicação sindical; a disputa da mídia alternativa com a imprensa burguesa e as condições de trabalho e as dificuldades de se avançar no jornalismo sindical.

O Seminário é voltado para jornalistas, assessores de comunicação, dirigentes sindicais e estudantes na área de comunicação. Será um importante espaço de debate para avançarmos no jornalismo sindical e na unidade da luta da classe trabalhadora.

Confira abaixo e no folder em anexo a programação e as informações sobre as inscrições.

Sua presença será de grande importância neste debate!

Inscreva-se e participe!
1º Seminário Unificado de Imprensa Sindical


Hotel Oceania em Florianópolis/SC

(rua do Marisco, 550, Ingleses)



Dias 4 e 5 de julho/2013


Público alvo: jornalistas, assessores de comunicação, dirigentes sindicais e estudantes na área de comunicação.


Vagas limitadas



Realização: Sindprevs/SC - Sinasefe - Sintrajusc - SEEB Florianópolis - Sindaspi



Informações:



imprensa2@sindprevs-sc.org.br e imprensa@sinasefe-sc.org.br ou pelos fones (48) 3224.7899 (com Marcela Cornelli das 13h às 18h) e (48) 3028-5787 (com Luciano Faria das 13 às 18h)



Inscrições:



Inscrições de 10 de maio a 21 de junho de 2013



Valores com hospedagem*



Apto Single: R$ 313,00



Apto Duplo: R$ 223,00



Apto Triplo: R$ 209,00



*Hospedagem no Hotel Oceania, local do evento e com café da manhã.



Valores sem hospedagem: R$ 115,00



Estudantes: R$ 50,00



Os valores acima com ou sem hospedagem também incluem: transporte (Centro/Ingleses), almoço nos dias 4 e 5, café da tarde no dia 4 e jantar de confraternização no dia 4.



Como se inscrever?



1 - Preencher o formulário de inscrição (também disponível no site do Sindprevs/SC no link Eventos 25 anos)



Nome:



Local de trabalho:



Fones de contato:



e-mail:



Cidade:



Categoria da inscrição:



( ) Estudante



( ) Jornalista ( ) Diplomado ( ) Não diplomado



( ) Dirigente Sindical



( ) Outros





2 - o valor da inscrição deve ser depositado no Banco do Brasil, agência 4236-6, conta nº 7011-4 ou na Caixa Econômica Federal, agência 1078, operação 003, conta nº 333-9. (CNPJ Sindprevs/SC: 782671430001-51)



3 - o comprovante do depósito da taxa de inscrição deve ser enviado através do e-mail: imprensa2@sindprevs-sc.org.br



4 - a inscrição estará sujeita a confirmação após o envio do comprovante do depósito.





PROGRAMAÇÃO



Dia 4/7 (quinta-feira)



9h - mesa de abertura



9h15min - palestra Lei dos Meios: o desafio de quebrar o poder dos grandes grupos de comunicação.



Palestrantes: - Júlio Rudman, da Rádio Nacional da República Argentina. - Laurindo Leal, sociólogo e jornalista.



11h - debate



12h30min - almoço



14h – palestra Os desafios do Sindicalismo e seus reflexos na comunicação sindical.



Palestrante: Vito Giannotti do Núcleo Piratininga de Comunicação



14h40min – debate



16h – café



16h30min – painel: Fazendo a disputa de hegemonia. Palestrantes: representantes do Portal Desacato, Rádio Comunitária Campeche e Daqui na Rede.



17h30min – debate



18h30min – encerramento das atividades



20h - jantar de confraternização







Dia 5/7 (sexta-feira)



9h30min – painel: Condições de trabalho e as dificuldades de se avançar no jornalismo sindical.



Palestrantes: Celso Vicenzi, jornalista e Conselheiro Fiscal do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e Leonor Costa, jornalista e diretora do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.



10h – debate



11h – mesa de encerramento e encaminhamentos.



12h30min - almoço de encerramento



Durante o evento haverá espaço para exposição dos materiais dos sindicatos.



Haverá transporte saindo do Terminal Cidade de Florianópolis às 8h nos dois dias.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pobres & Nojentas deu Apoio Cultural a três livros em 2013



Em março de 2013 três livros foram lançados com o Apoio Cultural da Revista Pobres & Nojentas. Começou com “Seu Antonio – Antônio Joel de Paula – a História de um Líder”, organizado e editado por Sandra Ribes e com editoração e foto de capa feitas por Marcela Cornelli, da P&N. Depois foi a vez do “Contos da Seve – Histórias de Severiana Rossi Correa”, organizado por Eduardo Schmitz, que também fez o projeto gráfico e a editoração eletrônica. A P&N lançou o livro em Florianópolis no dia 20 de março. O terceiro foi “Sonhos interrompidos: a luta de uma adolescente contra a anorexia”, de Carla Marcondes Ferreira de Souza e Mariana Marcondes Ferreira de Souza, com edição de Marcela Cornelli e Rosangela Bion de Assis e capa e projeto gráfico de Sandra Werle, da Letra Editorial, e Rosangela Bion de Assis.

Veja fotos de cada lançamento no Facebook da revista, "Pobres E Nojentas"

Veja o vídeo sobre o livro “Contos da Seve – Histórias de Severiana Rossi Correa” em



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Um dia qualquer

Elaine Tavares
 
É de manhã, cedinho. O caminhão do lixo nem passou, trazendo com ele o barulho inconfundível e o grito dos trabalhadores que anunciam a coleta. As corujas ainda voejam por sobre o muro, abrindo as asas no rumo de um mais além, para longe das gentes que principiam em amanhecer. O sol de outono abraçando o mundo torna as cores mais vivas. O verde das árvores é pura esmeralda, e as penas dos canarinhos que ainda cantam, alucinados, no muro lateral, brilham como ouro. Os gatos estão deitados na mesa do alpendre, com preguiça de caçar. As laranjas-lima pesam no pé e são pura gratuidade, esperando a mão da colheita. O cheiro do mar assoma, queimando as narinas. É como se fosse uma manhã no paraíso.
 
Na rua de areia já estão os cachorros, as galinhas e os meninos. A impressão é de que eles não dormem. Basta que a barra do dia se anuncie e já dá para ouvir a gritaria dos pequenos tentando empinar uma pipa, jogando taco ou na malícia do futebol. É gostoso pensar que esses bacorinhos estão vivendo a vida assim, à larga, numa espécie de excesso de natureza. Pelos menos os da minha rua jamais são vistos grudados em videogames ou na internet. Estão ávidos demais por vento e sol. Correm pelas poças de água, com os pés descalços, ostentando os corpinhos fortalecidos com todos os anticorpos possíveis. Nem no inverno mais gelado os vejo de nariz vermelho. Parece que são de ferro.
 
Mesmo no outono, quando o vento sul já se insinua, eles entram pelo portão do vizinho que tem uma pequena piscina em casa. Quem vai à frente é o menorzinho, para amolecer o coração.
- Moço, pode¿ diz, com o olhar comprido para a alegria aquática.
- Só de tarde – diz o homem, já acostumado com o repetido ritual.
- Que horas¿
-Três horas.
 
Pois quando chega o momento, são pontuais. O pequeno circula pela vizinhança, chamando os comparsas. “São três horas, o moço deixou”... Então, eles chegam, aos borbotões, com os trajes de banho e as boias. São quase todos os curumins da rua. Pulam na piscina e dali não saem até que a noite chegue. Seus gritos ecoam pela rua afora, numa algaravia de felicidade que contamina qualquer um. Sem outros brinquedos além dos pneus, eles arrancam os maracujás e os fazem de bola. Entre uma entrada e outra na água vão se apropriando das acerolas, ameixas, jabuticabas e limas que abundam no quintal.
 
Quando o sol se põe, num vermelhão só, lá para as bandas do oeste, eles vão saindo, um a um. Desembestam pelo portão afora sem nem dizer obrigada. Sabem que o jardim é deles e que no dia seguinte voltarão para nova festa. Ainda molhados e sem a menor vontade de entrar em suas casas, arriscam um último jogo de frescobol. Invadem outro quintal. “Moça, empresta as raquetes”... Não têm nada de seu, mas ao mesmo tempo tudo possuem. Vivem em comunidade.
 
Só quando a noite vai longe é que a rua se aquieta. A gurizada entra, os vizinhos vão fechando os portões, a dama da noite começa a exalar seu perfume, as corujas voltam ao muro, os gatos se encaixam nas casinhas, os cachorros se aprontam para dormir. Assim, passa-se mais um dia no Campeche, no sul do sul do mundo, num outono de tirar o fôlego. E, mateando no alpendre, parece que vida fica cheia de sentido quando as crianças ainda brincam na rua e invadem quintais que nem são seus, sem que ninguém se incomode ou puxe uma espingarda de calibre 12. Os filhos da rua são os filhos de cada um e sempre há alguém a espiar pelo seu bem estar. É nessa hora que a gente suspira e pensa no quanto é bom viver.

Café AntiColonial em homenagem aos trabalhadoresno dia 3 de maio

A Cooperativa de Produção em Comunicação e Cultura (CpCC), através do Portal Desacato, e o Sindes realizam no dia 3 de maio (sexta-feira) o 3º Café AntiColonial. O evento será dedicado aos trabalhadores de Florianópolis e Região e acontecerá das 17h30min às 21h30min, no Palácio Cruz e Souza, no Centro de Florianópolis.
O Café AntiColonial é um evento de caráter cultural que reúne distintas formas de expressão (música, teatro, contos, fotografia, filmes e vídeos, sebo, etc.) além do que é costumeiro num Café "Colonial" (café, bolos, sucos, bolachas, salgados, etc.). As suas primeiras versões aconteceram em 10 de dezembro de 2011 na Udesc e em 30 de agosto de 2012 na Lagoa da Conceição, tendo muito sucesso ambas, sendo filmadas e transmitidas com cobertura jornalística completa via web pelo Portal Desacato (www.desacato.info).
Para sua terceira versão a proposta é homenagear aos trabalhadores de Florianópolis e Região, convidando trabalhadores, dirigentes do campo popular e, representantes protagonistas da sociedade trabalhadora, social, política e cultural nos diversos âmbitos da cidade. O Dia dos Trabalhadores, tem sido destratado nos últimos anos em Florianópolis, o que afeta, sem dúvida, a autoestima da classe trabalhadora e a desentende de sua própria história de lutas, antigas e recentes.
O Café AntiColonial em homenagem aos trabalhadores, será transmitido jornalisticamente via web, Ao Vivo, e com o devido suporte nas nossas redes sociais e narrações ao vivo em twitter e facebook. Também será realizado um vídeo de 15 a 20 minutos de duração resgatando este momento sociocultural, do qual será entregue uma cópia a cada entidade colaboradora.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

IX Jornadas Bolivarianas discutem os megaeventos esportivos

Por Elaine Tavares - jornalista

01.04.2013 - As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há nove edições,   é de fazer um debate crítico, saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e maravilhas. Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles, muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem processos violentos de remoção.  
Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes populares de vários países. A abertura, no dia 9 de abril, contará com a presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte como sinônimo de saúde. 
Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido, reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante dos megaeventos. Participa também o professor  Fernando Mascarenhas,  da Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.
Raumar Rodrigues Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai, traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da Unoesc, que recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por  megaeventos esportivos. 
No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da mídia comercial.
Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas  é o sul-africano Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho sobre  a Copa do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o campo popular e na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar como a África do Sul foi afetada e quais os impactos deixados na população.
Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino Vianna Guimarães , do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida, principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do Iela e professor do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no mundo da vida.
As atividades das Jornadas Bolivarianas – 9ª. edição -  começam numa terça-feira, 9 de abril de 2013, a partir das 18h30min. Veja a programação completa:

IX Jornadas Bolivarianas
MEGAEVENTOS ESPORTIVOS - SEUS IMPACTOS, CONSEQUÊNCIAS E LEGADOS PARA O CONTINENTE LATINO-AMERICANO

9 de abril de 2013
- Noite – Auditório  da Reitoria – UFSC
18h30 – Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19h – Conferência de abertura: Os Megaeventos Esportivos: Impactos, Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista: Jaime Breilh/ Equador - Doutor e Diretor da Área de Saúde da Universidad Andina Simón Bolivar. Coordenador do Global Health para a América

10 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria - UFSC
9h – Conferência:  O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos Esportivos
Antonio Becali Garrido, Reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte - Cuba
Fernando Mascarenhas UNB, Brasília, Brasil

- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos
 - Noite - Auditório da Reitoria
18h30 - Conferência: A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri - São Paulo
Maurício Mejía - México

11 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h – Conferência: Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques - Unoesc/ Brasil
Marcelo Proni – Unicamp/Brasil
Nildo Ouriques - UFSC - Brasil

- Tarde – UFSC e Hall da Reitoria
14h30 – 18h – Apresentação de Trabalhos

- Noite – Auditório da Reitoria
19h – Conferência: Tema: Cidades, Participação Popular, Economia e os legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle - África do Sul - Autor do livro “South África`s Wold Cup: A Legacy For Whom?” (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez – Universidade Republica do Uruguai
 12 de abril de 2013
- Manhã – Auditório da Reitoria
9h - Conferência: O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães - Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela - UFSC/Brasil

Informações:
www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 – 3721-4938 - 99078877
www.jornadasbolivarianas.blogspot.com

segunda-feira, 25 de março de 2013

Quando um amigo chamar, vá!


Elaine Tavares

Ela tinha muitos amigos no facebook e inumeráveis seguidores no twitter. Por ali sempre rolavam conversas, risadas, compartilhamentos de textos e sentimentos. Mas havia a frieza de um espaço sem olhares quentes, sem abraços apertados, sem beijos, sem toques de mãos. E ela precisava disso. Talvez porque fosse de uma outra geração, de um outro mundo, desses nos quais as pessoas se olham e se afagam e se beijam e se encantam uma com a outra. Ela, então, tinha sede e fome de presenças, era o seu alimento e, sem isso, definhava. Achava até que se não tivesse, vez em quando, o contato real com aqueles a quem amava, morreria.
Então inventou um encontro. Precisava dele para não sucumbir de vazios humanos. Comprou frutas, sucos, vinhos, pãezinhos e patês. Tal qual Babette planejando a festa, preparou delícias para dividir com aqueles os quais chama de amigos. Comer junto é comunhão, coisa sagrada, desperta o que há de melhor em cada ser. Também, feito a raposa, desde a manhã seu coração batia ligeiro esperando a hora do abraço que lhe devolveria a vida. Era o primeiro dia do outono, a mais bonita das estações, e chovia uma chuva forte, lavando a cidade e preparando a terra para a colheita. O universo conspirava para que a noite fosse de profundas alegrias.
Quando a hora chegou, tudo estava pronto. A mesa posta, a música escolhida, o vinho aberto. Ela sentou-se na varanda, a esperar. A chuva seguia, renitente, mas, pensou: “ninguém é de açúcar”. E quem ousaria não dar ouvidos ao chamado de um amigo? Sorriu e ficou a imaginar cada um dos rostinhos amados que chegariam, afogueados, guarda-chuvas abertos, fugindo do aguaceiro, também ansiosos pelo encontro, o abraço, o toque.
O tempo foi fugindo do relógio, a chuva seguindo seu curso, as frutas murchando e ninguém apareceu. A mulher deixou-se ficar à varanda, com todos os copos de vinho no chão. Na cidade molhada nenhum amigo atendeu ao chamado. Não haveria abraços, nem beijos, nem toques de mãos. Então, dos olhos, começaram a escorrer pequenas gotas de lágrimas, que foram crescendo, crescendo, crescendo, até formarem uma imensa poça de água. No dia seguinte, quando a procuraram, tudo o que puderam encontrar foi aquela estranha poça ao lado da cadeira que balançava sozinha no alpendre. A mulher nunca mais foi vista. Seu último post no facebook foi um insistente chamado para a festa.
Sua caixa de emails, aberta no dia seguinte, estava cheia de mensagens dos amigos, dizendo que tinham coisas importantes a fazer. Não seria possível o encontro. E a vida seguiu no facebook, com milhares de pessoas “compartilhando” coisas.  

sexta-feira, 22 de março de 2013

O racismo contra os indígenas está vivo e passa bem

Elaine Tavares

Uma entrevista em vídeo realizada com a cacique Eunice Antunes, da comunidade Guarani, do Morro dos Cavalos, mostrou o quanto a questão indígena em Santa Catarina também é revestida de profunda violência. O "sul maravilha", de certa forma, passa a imagem de um espaço civilizado, longe da truculência de regiões conflagradas como a Amazônia ou o Mato Grosso do Sul, nas quais é comum o assassinato descarado de índios. Só que isso é pura ilusão. Ou pior. Mostra que quando os índios estão quietos, confinados na sua miséria, é sempre muito fácil parecer "bonzinho" e "respeitar" os direitos, no geral expressos em distribuição de cestas básicas. Mas, se eles se levantam em luta e exigem que as terras sejam demarcadas, que a lei seja cumprida, aí a violência assoma, com sua cara feia, e todo o racismo que subjaz no cotidiano igualmente aflora.
A comunidade Guarani do Morro dos Cavalos é um espaço de quatro hectares onde se apertam 28 famílias, 200 almas. Elas reivindicam desde há anos suas terras ancestrais e, finalmente, em 2008, os 1.997 hectares aos quais têm direito foram demarcados. Só que nesse território também estavam mais de 60 famílias de "juruás" (os brancos), que, ou grilaram ou compraram as terras e agora precisam sair. O trabalho da Funai tem sido sistemático no sentido de indenizar e retirar as famílias. A maioria tem aceitado, mas uma parcela insiste em ficar. Sentimento justo, afinal, algumas estão ali há gerações. E é por aí que se espraia o conflito. O governo do estado deveria também indenizar as famílias, no valor da terra, já que a Funai só paga as benfeitorias, por conta de que o espaço é uma reserva natural e não poderia ter ninguém morando.
Pois a fala da cacique (http://youtu.be/bKUKCXHDCKU), contanto essa história e, inclusive, se colocando a favor da indenização dessas famílias, fez brotar um onda de violências verbais nos comentários do You Tube, que bem mostram a intolerância, o ódio e o preconceito que cerca a questão indígena. "diz que os jovens só ficam brincando, vendo TV depois da aula, pois recebem bolsa família, bolsa escola. A cacique ainda não os ensinou a pescar, caçar, afinal ela não tem tempo, pois fica só recebendo informação da FUNAI. Que cultura é essa de índio recebendo bolsa do governo?", diz um dos comentários. E outro: "A cacique é bem viajada, faz turismo com nosso dinheiro. Quase não fica na aldeia,  está explicada a vinda dos índios à vila pedir (esmolar). Essa é boa vida deles. Não é preciso ser índio, basta seguir a religião para se dizer índio". 
Outras barbaridades como chamar a cacique de boliviana, paraguaia, estrangeira e fazer piada com o fato de ela estar usando batom foram depois retiradas dos comentários quando alguém sugeriu que ia entrar na justiça por racismo. O debate mostra, com riqueza de detalhes, o ranço que existe, indelével, não só nas comunidades próximas à aldeia, mas também em todo o estado. Para boa parte das pessoas, índio só é bonitinho nas páginas dos livros ou quietinho nas aldeias. Bastou gritar, exigir direitos, para virar inimigo, "coisa ruim".
Ser índio
O movimento de recuperação das culturas originárias que assomou na América Latina desde o final dos anos 90 demorou a chegar no Brasil. E não poderia ser diferente. Ao contrário de países como a Bolívia, Equador, Guatemala e outros que contabilizam a maioria da população como indígena, aqui no Brasil os povos autóctones foram sendo dizimados desde a chegada dos portugueses em 1500. Com a leva dos imigrantes logo após a abolição da escravatura, mais uma onda de destruição dos povos indígenas se fez. No início do século XX, com a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas, também a região norte, ainda bastante isolada, foi sendo tomada. Restou aos indígenas o confinamento em reservas ou a integração forçada na vida dos brancos.  Tudo isso foi provocando a desaparição de povos inteiros e a falta de uma política clara de demarcação dos territórios também fomentou uma espécie de "guerra" permanente com os interesses dos fazendeiros, mineradores e madeireiros que foram invadindo as terras indígenas. 
Hoje, depois de mais de uma década de lutas importantes pela América Latina e a profunda mudança na posição dos indígenas diante de sua realidade, também os povos do Brasil começaram a se integrar no processo de retomada da cultura e da identidade. Tanto que , segundo o IBGE, a população indígena cresceu 205% desde 1991. Isso porque muitas pessoas que já estavam no mundo urbano, "integradas", também resolveram assumir sua identidade e lutar pela sua cultura. Hoje, o Brasil já contabiliza 896,9 mil índios de 305 etnias, e em quase todos os municípios (80%) tem alguma pessoa autodeclarada indígena. Até mesmo alguns grupos já considerados extintos, como os Charrua, se levantam, se juntam, retomam suas raízes, formam associações e lutam por território. A maioria dos indígenas, 63%, ainda vive em área rural e o IBGE também constatou que aqueles que já estão com suas terras demarcadas conseguem viver com mais tranquilidade, vivenciando suas culturas. Esses, conformam também uma maioria, com mais  de 500 mil pessoas.  
A única exceção é a terra dos Yanomami, a mais populosa, com 25 mil e 700 habitantes, entre os estados do Amazonas e Roraima, que tem sofrido a invasão sistemática de garimpeiros em busca de ouro e outros minerais. Vários conflitos são registrados sistematicamente na região desde o ano de 1996, quando o então deputado Romero Jucá entrou com um projeto de lei para regulamentar a mineração em terras indígenas, principalmente na dos Yanomami. Naquele mesmo período, segundo denúncia dos indígenas, ele e José Sarney derramaram mais de 40 mil garimpeiros na área, exacerbando os conflitos. Esse projeto tramitou e em 2012 o deputado Édio Lopes (PMBB), de Roraima, apresentou um substitutivo global, o qual sugere a cessão de quase 80% do território Yanomami para grandes empresas mineradoras. Existem, hoje, mais de 650 requerimentos de empresas querendo minerar nas terras indígenas. Assim, sob a alegação de que as riquezas nacionais precisam ser exploradas, mais uma vez os indígenas correm risco de perderem sua vida. “Queremos que a floresta permaneça silenciosa, que o céu continue claro, que a escuridão da noite cai realmente e que se possa ver as estrelas", insiste Davi Yanomami, mas esse seu desejo não é levado em consideração quando o que está em jogo é a expansão do capital e a exploração desenfreada de minerais.
Não bastasse isso, outras comunidades do norte estão hoje completamente ameaçadas pelas famosas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa região concentra 38,2 % dos projetos, que envolvem abertura de estradas e construções de usinas. Dos 61 projetos em andamento no norte, 37 deles estão da região amazônica e devem atingir 30 áreas indígenas . O mais emblemático e que já provocou dezenas de conflitos é o de Belo Monte, uma obra gigante que coloca em risco todos os povos do Xingu. 
Outro drama que se desenrola longe das câmaras de TV e da consciência nacional é o do povo Pankararu, uma comunidade de oito mil pessoas que sempre viveu às margens do Rio São Francisco, em Petrolândia, Pernambuco, e que agora está sem acesso à água e ao rio por conta das obras de transposição.  Desalojados, perdidos da relação com o rio, eles são abastecidos com carro-pipa, nas piores condições, enquanto o governo fala nas maravilhas da transposição, que nada mais é do que a proposta de levar água ao agronegócio. Já, com os índios, quem se importa?
Também os povos que vivem no Mato Grosso do Sul amargam violência e desamparo. São mais de 30 acampamentos de indígenas no estado, que é o que lidera o triste pódio de assassinatos de índios (62% ) , assim como o de mortes de crianças indígenas por falta de assistência médica. Recentemente uma comunidade de Guarani Kaiowá, com 170 pessoas, que estava acampada em dois hectares na beira de uma estrada, ameaçou resistir até o último homem caso fosse despejada. O drama provocou comoção nacional quando a mídia falou em suicídio. Na verdade, o estado de Mato Grosso do Sul também é campeão em número de suicídio de índios, com mais de 1.500 casos registrado nos últimos dez anos, sendo a maioria de jovens de 13 a 15 anos, completamente destituídos da vontade de viver sem condições de serem plenos na sua cultura. 
A voracidade do capital
E assim é a situação dos povos indígenas nesse país. Sempre tendo de superar dezenas de barreira para simplesmente ser. No Amazonas meninas índias trocam a virgindade por 20 reais, madeireiros assassinam índios no Pará, fazendeiros escravizam índios em Vacaria, Rio Grande do Sul , índios morrem nos cantões tentando defender suas terras. Tudo isso aparece como pequenos "drops" informativos, como se fossem casos esdrúxulos, fora do normal.  Não são. Essa é a realidade cotidiana de milhares de indígenas, todos os dias colocados sob o foco do racismo, tal como agora acontece em Santa Catarina. São chamados de feios, sujos, vagabundos, bêbados, paraguaios, escória do mal. Basta de saiam de suas aldeias e reivindiquem. Agora, com a política de cotas, eles estão entrando nas universidades. Mais um espaço no qual o racismo aflora com força. 
É uma tarefa dura para as gentes autóctones viver num mundo que os hostiliza sempre que saem da sua condição de "coitadinhos". Mas eles estão aí, crescendo, se multiplicando. Com outros tantos de autodeclarando, assomando na cultura, na língua, no território. Nunca será fácil. A consciência de que todo o território foi roubado custa a se formar , daí a violência que se vê no dia-a-dia. Mas, muito mais do que isso, o que provoca a maior parte dos conflitos é insaciável expansão do capital. Terras indígenas como as do Mato Grosso do Sul são pura fertilidade, os fazendeiros as querem. Também são ricas em minério as terras amazônicas, e os interesses multinacionais são gigantes. Daí que fomentar o racismo, provocar o ódio, também faz parte da estratégia do capital. Fica mais fácil destruir, derrotar, extinguir aquilo que as pessoas consideram "lixo". Assim, não há culpas. 
Por isso que no sul do Brasil, na "europa" brasileira, Santa Catarina, famílias de gente boa, pia, se engalfinham em discórdia com os índios, os sujos, os paraguaios, os estrangeiros. Parece até coisa do realismo fantástico. Chamam de estrangeiros aqueles que são os verdadeiros donos da terra. Na terra Guarani, nesses dias de outono, as gentes espiam pelos barracos mal havidos, com medo. Porque ousaram lutar e garantir seu território. Agora amargam a violência e a discriminação. E, ao largo, a vida passa.

Seve e Eduardo em vídeo sobre o livro "Contos da Seve"

Veja vídeo para conhecer Severiana Rossi Correa e Eduardo Schmitz. Seve contou a Eduardo as histórias que compõem o livro "Contos da Seve", lançado no dia 20 de março em Florianópolis.

“Sonhos Interrompidos” teve lançamento na Capital

Sem a pretensão de entrar em detalhes sobre a anorexia, suas causas, consequências e tratamentos, o livro “Sonhos Interrompidos” é um simples e emotivo relato escrito por duas irmãs, Carla e Mariana Marcondes Ferreira de Souza, que vivenciaram de perto a devastação que essa doença pode causar em uma pessoa, e em todos ao seu redor. O lançamento foi no dia 21 de março no hall do Centro de Convenções do Hotel Oceania, Praia dos Ingleses, Florianópolis. 
Como afirma a jornalista Marcela Cornelli, na apresentação do livro, “a história de Carla é a história de muitas meninas, jovens e adolescentes que buscam o padrão de uma beleza criada pela sociedade e pela mídia burguesa. Uma sociedade doente onde o culto excessivo à aparência influencia milhões de pessoas.
A impressão do livro foi viabilizada graças ao apoio de um conjunto de entidades sindicais (SINDPREVS/SC, SEEB, SINTRAJUSC, SINDES, SINTRAFESC, SINERGIA e SINTRATURB), CPCC (Cooperativa de Produção em Comunicação e Cultura), Revista Pobres & Nojentas e Editora Letra.


Assessoria de Comunicação do Sindprevs/SC

Mulheres


Veja vídeo do lançamento do livro "Contos da Seve"

Veja abaixo o vídeo sobre o lançamento do livro "Contos da Seve", no dia 20 de março na Fundação Franklin Cascaes.

terça-feira, 12 de março de 2013

Livro Contos da Seve será lançado em 20 de março, Dia do Contador de Histórias


 
O livro Contos da Seve será lançado no dia 20 de março (quarta-feira), às 19 horas, na Fundação Franklin Cascaes (Forte Santa Bárbara, rua Antônio Luz, 260, no antigo terminal central, quase esquina com a avenida Hercílio Luz). O livro, com histórias narradas por Severiana Rossi Correa, foi organizado pelo jornalista Eduardo Schmitz, e tem o apoio da Revista Pobres & Nojentas e da Fundação Franklin Cascaes.
Prefaciado pelo também jornalista Moacir Loth, Contos da Seve tem 118 páginas. São 57 histórias que levam o leitor para paragens desta Santa Catarina onde pessoas, objetos, casas, morros, são feitos de uma substância mágica, às vezes terna, às vezes cruel e espantosa. Como escreve Moacir Loth no Prefácio, Seve “tirou de sua memória bruxólica causos e contos que pouco devem ao mitólogo Franklin Cascaes, o bruxo da Ilha da Magia. Ambos, bruxo e bruxa, contam histórias com tanta intensidade que transmitem ao leitor a certeza absoluta de que suas histórias são fatos; suas lendas, notícias; seus causos, reportagens. Se Cascaes narrou o fantástico da Ilha e a saga dos açorianos, agarrado a bois e bruxas, Seve dá conta do folclore, do imaginário, do espírito e dos costumes do interior”.
Seve foi capa da edição 9 da Revista Pobres & Nojentas, que vai para a trigésima edição. A beleza da história dela e das que ela contou disparou a vontade de colocar as narrativas todas em papel. E foi o que o Eduardo fez, com uma primorosa capa também desenhada por ele.
A autora nasceu em Lages e em 2012 completou 89 anos. Ela viveu a colonização do Alto Vale do Itajaí. Teve 16 filhos, e vieram 56 netos, 66 bisnetos e 4 tataranetos. Já Eduardo Schmitz é um taioense de 38 anos que desde cedo mostrou ter habilidade com desenhos. Criado num sítio, no interior de Salete, só foi ter contato com a área editorial por volta dos 16 anos, quando começou a trabalhar num pequeno jornal semanal na cidade de Taió. Foi assim que aprendeu o oficio de diagramador em “past up”, sendo que, vez por outra, também eram publicadas algumas de suas charges.
Mais tarde, com o advento dos primeiros softwares de editoração eletrônica, Eduardo foi trabalhar na indústria gráfica, onde participou, por mais de 10 anos, na execução de vários projetos de cunho comercial. Buscando algo mais autoral e menos técnico, resolveu estudar jornalismo, formando-se em 2007 pela Universidade do Alto Vale do Itajaí (Unidavi). Quando ainda cursava o segundo semestre da faculdade, Eduardo deu início à criação de um jornal de bairro em Taió, sendo que anos depois o projeto acabou incentivando-o à criação de um mensário gratuito e de maior circulação, chamado Observatório Local, onde eram publicados contos da Seve. Atualmente Eduardo trabalha como freelancer em projetos de editoração, ilustração e webdesign.
A data escolhida para o lançamento do livro não é por acaso. Em 20 de março é comemorado o Dia do Contador de Histórias. A data foi criada em 1991, na Suécia, e tem como principal objetivo reunir os contadores e promover a prática em todo mundo. No lançamento, Aline Maciel, da Cia. Mafagafos – contadores de histórias, irá ler contos da autora. A ideia é marcar a data e compartilhar a beleza das lendas, causos e  contos da Seve.
 
Serviço:
Lançamento do livro Contos da Seve, organizado por Eduardo Schmitz
Quando: 20 de março (quarta-feira), às 19 horas
Onde: Fundação Franklin Cascaes (Forte Santa Bárbara , rua Antônio Luz, 260, no antigo terminal central, quase esquina com a avenida Hercílio Luz)
Apoio: Revista Pobres & Nojentas e Fundação Franklin Cascaes

quarta-feira, 6 de março de 2013

Globo, ¿por qué no te callas?


Míriam Santini de Abreu

Não li nem vi a maior parte do que foi publicado sobre a morte de Hugo Chávez nos principais meios de comunicação do país. Mas ontem, passei pelo Jornal da Globo e comprovei que não há limites para a vileza supostamente informativa da Rede Globo, porque não se pode classificar o dito conteúdo como jornalístico. Refiro-me especificamente ao "resumo" da trajetória de Chávez narrado pelo apresentador William Waack, indicado abaixo, onde também está uma avaliação mais detalhada sobre a cobertura da mídia a respeito da morte do presidente venezuelano.

É odioso o fato de os sucessivos governos do Brasil não abrirem o debate sobre a regulamentação da atividade de comunicação (terceiro link abaixo), como fizeram a Venezuela, a Argentina, a Bolívia, o Equador e o Uruguai. A presidenta Dilma também não dá indícios de que vá avançar um milímetro nesse tema. Quisera ver, no Brasil inteiro, um clamor: Globo, ¿por qué no te callas?






terça-feira, 5 de março de 2013

Seu Antônio, um lutador

Elaine Tavares
 
É nesse dia 8 de março, às 18h, na Escola América Dutra Machado,  o lançamento do livro "Seu Antônio, a história de um líder", fruto do trabalho generoso da educadora Sandra Ribes junto à vida das comunidades Chico Mendes e Monte Cristo. Ué, mas no dia da mulher, a história de um homem?  É que nós, da Pobres e Nojentas, já conseguimos superar essa divisão. Mulheres e homens - se estão na luta por um mundo melhor - ocupam o mesmo patamar e suas histórias merecem o mesmo destaque.

Seu Antônio é mais um personagem que poderia passar invisível na história de uma cidade pródiga em homenagear carrascos e predadores. Ele é um homem simples, que vive numa comunidade empobrecida, não frequenta altas rodas, nem salões acarpetados. Sua trajetória se fez na estrada de chão, nas vielas da comunidade, sempre na batalha por direitos, por dignidade e vida plena.
 
São essas pessoas que a equipe da Pobres e Nojentas  faz questão de iluminar com focos de luz intensa. Porque é gente assim, como o Antônio, que verdadeiramente constrói a cidade e muda a vida de centenas de outras pessoas com sua força, garra e luta renhida.

Então, nesse dia da mulher, as mulheres da Pobres convidam homem e mulheres, gente que luta, para prestigiar esse lançamento. Não acontece em uma galeria chique, nem numa livraria "da hora". É na comunidade mesmo, espaço de Antônio e dos seus. O livro é a memória viva da luta das comunidades do continente. O livro é história real, façanha comunitária. Pode chegar no Monte Cristo e compartilhar, com amor e com ternura.

Escola América Dutra Machado - Bairro Monte Cristo - 18h - 08/03/2013  

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lei de Greve tramita no Congresso

Elaine Tavares

Tramita desde o ano passado, na Câmara de Deputados, o famigerado projeto de lei que regulamenta as greves de trabalhadores. Isso por si só já seria uma grande bobagem pois só os trabalhadores, auto-organizados, são os que decidem sobre suas formas de luta. Não há qualquer cabimento em o Estado ou o Legislativo tentar regular aquilo que não é da sua competência. No mundo capitalista, a luta dos trabalhadores é sempre uma luta contra o capital e, a menos que se entre numa armadilha de conciliação de classe, uma lei para regular as greves fica fora de questão.

Mas, apesar disso, um deputado do Partido dos Trabalhadores, chamado Roberto Policarpo Fagundes, eleito pelo DF, entrou com um projeto de lei, em 2012, visando justamente regular as greves. No corpo do projeto ele chama de "democratização das relações de trabalho e tratamento de conflitos". Um projeto dessa natureza deveria ser imediatamente rechaçado pelas entidades sindicais, mas, segundo a justificativa que está no corpo da proposta "o projeto resulta de três anos de negociação com entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef) e a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam), além de representantes do Ministério do Planejamento, durante o segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva". Ora, isso significa que entidades de trabalhadores, junto com o governo constituíram essa peça que é uma grave interferência na auto-organização dos trabalhadores uma vez que se faz em parceria com o patrão, no caso, o Estado.

Alguém pode dizer que o estado não é o capital, mas se pensar bem vai ver que sim, é. No estado capitalista, o estado é representação do capital e é com o capital que os trabalhadores disputam as verbas que vão prover a sua existência. Um exemplo claro disso pode ser visto nas negociações por salário. O governo nega recursos aos trabalhadores, mas nunca se nega a pagar os juros da dívida. Nesse embate, é a luta contra o capital.

Diz a lei, no seu artigo primeiro, que o seu objetivo é regulamentar o tratamento dos conflitos entre os servidores público e o estado e definir diretrizes para a negociação. Afirma que a livre associação é garantida assim como o direito de greve, mas estabelece que a negociação entre trabalhadores e governo deverá se dar dentro dos parâmetros da negociação permanente. Ou seja, apenas busca regulamentar o que já existe. Desde o primeiro governo Lula que esse expediente é usado. E ele significa exatamente o que quer dizer: negociação permanente, que permanece, que não avança.

Pois no artigo 5, do primeiro capítulo, já aparece a primeira pérola: "o direito de greve do servidor público submeter-se-á a juízo de proporcionalidade e razoabilidade". Ora, o que é isso? razoabilidade? Quem define o que é razoável? O governo? E se o que for razoável para os trabalhadores  - como um arrocho salarial - não o for para o governo?

Depois, o segundo capítulo, vem uma série de questões que definem como será a vida dos trabalhadores: direito a livre associação, proteção enquanto estiver em mandato sindical,  direito de afastamento para mandato sindical ( o que hoje não ocorre), dispensa de ponto para os que participam das mesas de negociação, direito a divulgação do movimento grevista (sic) e direito a arrecadação de fundo de greve.

O capítulo terceiro trata das regras para a negociação. Estabelece que ela se dará pelas Mesas de Negociação Permanente, uma prática que já existe e que só beneficia o governo. na verdade, nessas mesas, não há negociação e sim a imposição daquilo que o governo quer. A prática tem sido a da "enrolação permanente", só terminando quando o governo chega onde quer.

O capítulo quarto regulamenta o direito de greve. Caracteriza o que é a greve, como suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, dos serviços. Define, no parágrafo 2 do artigo 18, que são assegurados aos grevista o emprego de meios pacíficos para persuadir os colegas a aderir a greve. No artigo 18 fica bem claro que o direito á greve deverá ser submetido a juízo de "proporcionalidade e razoabilidade", mas não explicita o que isso significa. Joga para uma possível autorregulamentação a ser feita pelas entidades sindicais, mas que deverá passar pelo crivo do Observatório das Relações de Trabalho no Serviço Público, uma nova entidade que será criada, com representação de 50% do governo e 50% das entidades sindicais. Ou seja, mais uma estrutura, mais cargos, mais cooptação.

Agora, em 2013, esse projeto já poderá ser votado e se constituirá numa ferramenta importante para a administração no sentido do controle total dos movimentos trabalhistas. Como conta com o aceite e o apoio das maiores centrais sindicais brasileiras a sua aprovação pode acontecer sem maiores conflitos.

Daí a importância da divulgação desse tipo de projeto para que os trabalhadores conheçam seu teor e não permitam que uma burocracia sindical, muitas vezes cooptada pelos longos braços do poder, decida por todos. Esse projeto deve ser conhecido e debatido, com todas as suas nuances desveladas, para que os trabalhadores decidam autonomamente sobre se é isso mesmo que querem. Se não é uma tremenda contradição regulamentar, na lei burguesa, como devem se organizar para travar a luta contra os interesses do capital. É obvio que quando há um conflito aberto com o capital, como é o caso de uma greve, sempre é necessário abrir um canal de negociação. Mas isso deveria ser feito caso a caso, conforme o andar do próprio movimento. Não tem cabimento haver uma lei que determine como devem ser feitas as negociações, como se todo conflito fosse igual.

A luta de classe é a base do sistema capitalista, o conflito é permanente porque a riqueza está sempre acumulada nas mãos da classe dominante. Não cabe aos que dominam dizer aos trabalhadores como lutar contra eles. essa é uma decisão autônoma daqueles que vendem sua força de trabalho. Aceitar essa lei é ficar atrelado aos desejos do estado. E, esse estado que aí está - não importa quem seja o governante - é o estado capitalista/dependente. Isso significa que estará sempre defendendo os interesses do capital. Logo, é um contrassenso aceitar um projeto dessa natureza.

Aos sindicatos cabe chamar discussões e debater profundamente. Não é possível que as Centrais estejam negociando sem que a maioria dos trabalhadores saiba o que, de fato, está em jogo.

Conheça a lei, na íntegra: